Dicas para uma Aliá bem sucedida
Baseado na experiência acumulada com algumas centenas de casos que chegaram às minhas mãos nestes últimos três anos, gostaria de compartilhar com vocês alguns pensamentos. Embora este não seja um artigo jurídico propriamente dito, a mensagem que pretendo passar aqui pode vir a ter influência considerável na vida quotidiana dos leitores.
O objetivo deste artigo é tentar demonstrar a melhor maneira de "entrar para o clube" sem perder a sua individualidade.
Um novo país, uma nova vida, uma nova mentalidade, novas pessoas, novos amigos, um novo idioma e acima de tudo: esperanças renovadas. É com isto que nos confrontamos quando estamos imigrando para Israel, e ninguém estará sendo poupado disto.
Não estarei trazendo aqui estatísticas, mas posso lhes afirmar que o índice de Divórcios entre os novos imigrantes é mais elevado (quando comparado à população "comum"). Isto porque eles são submetidos a uma enorme pressão, tanto de ordem financeira como de ordem emocional; o que muda é a forma de se lidar com esta dificuldade, oriunda da personalidade de cada um. E este fato é verdadeiro principalmente na hipótese de apenas um dos cônjuges conseguir se assimilar satisfatoriamente à sociedade israelense.
O primeiro passo para uma Aliá bem sucedida é aceitar o fato de que agora você vive em Israel – para o bem e para o mal. Este é o lugar no qual você escolheu viver, de modo que não se trata de uma simples experiência que pode ser desprezada apenas pelo fato de uma pessoa ter encontrado óbstáculos. Você veio com sonhos, portanto deve firmar consigo mesmo(a) o compromisso de tentar promover, de todas as formas, a concretização das suas metas.
O segundo passo seria a abstenção completa quanto às comparações estabelecidas entre as pessoas, o país, a mentalidade ou o serviço prestado aqui, quanto ao seu país de origem. Agora você está aqui, e se continuar procedendo desta forma, a sua vida será mais árdua e possivelmente miserável. Sejamos objetivos: não importa como as pessoas agem ou reagem no Brasil ou em qualquer outro país do mundo, já que as pessoas com as quais você estará interagindo não deixarão de ser israelenses, com todas as suas peculiaridades. Portanto não perca tempo em tentar mudá-los, você deve aprender a aceitar as pessoas e coisas como elas são.
O terceiro passo é o mais simples: se não pode vencê-los, junte-se a eles. É óbvio que isto não significa que você deverá sair `"furando filas", mas se alguém fizer isto na sua frente, não hesite em ser "israelense" e diga: "Slihá! Ma zé? Lama?" (Com licença! O que é isto? Por que?) Que tal tentar? Você verá que é mais fácil do que imagina.
O quarto passo: agora que você é quase um(a) israelense, isto não significa que você precisa necessariamente ter o mesmo comportamento deles! Seja você mesmo(a), mantenha o seu jeito, a sua individualidade, os seus "Minhaguim". Você não precisa se tornar uma pessoa rude – apenas não permita que os demais o sejam com relação a você! Saiba que você tem algumas vantagens sobre os "nativos". Provavelmente você sabe falar inglês melhor e é "aquele(a) doido(a) que fez Aliá" (por acaso alguém já lhe perguntou por que veio para cá? Ou o que há de errado lá no seu país de origem?) A maioria dos israelenses, sem dúvida, admira a sua coragem de ter vindo a Israel.
O quinto e último passo é aprender como "escolher os seus desafios". Conforme-se que não existe uma possibilidade de vir a modificar a mentalidade vigente. Você poderá, no máximo, amenizar as diferenças ao adotar um comportamento mais tranquilo, ao se abster de valorizar as pequenas coisas.
Seja mais tolerante e mais aberto:
Procure entender onde você está e se ainda não percebeu, Israel está situado no Oriente Médio, e não perto da Suíça ou da Austrália. A realidade é absolutamente singela, portanto você precisa tentar compreender e aceitar o fato de que nada mais será igual ao que era antes da sua Aliá. Pense positivo, e acredite que a vida agora será melhor, embora diferente.
Seja você mesmo em Israel:
Você não precisa se tornar um israelense típico e nem simplesmente "se misturar com a multidão". Apenas seja você mesmo mas respeite a sua nova realidade. Você tem que se adaptar, não ELES! Você foi quem aterrissou recentemente nesta nova sociedade, e não há nada de errado nisto.
Um último conselho, porém não menos importante:
Se o seu Hebraico é bom o suficiente para compreender e ser compreendido, procure praticar o idioma ainda que tenha um sotaque advindo da sua língua-mãe. O domínio do idioma do país é reconhecidamente um elemento importante para uma Aliá bem sucedida.
Atenciosamente,
D. Henrique (Tzvi) Szajnbrum, Advogado.

