Caso Verídico III
Ponto de vista jurídico e humano:
O Direito de Educar, o Dever de Educar e a Família
Data: abril de 2009.
Personagens: Rachel e Moises
Uma cliente me liga toda apavorada. “Fui ‘presa’ e estou com muito medo!”, assim gritava no telefone. “Medo de que?”, eu pergunto. Ela responde: “Medo de perder meus filhos!”
Quando cheguei à casa da Rachel já estava tudo mais calmo e ela como não conseguia explicar pelo telefone, não soube explicar que não foi exatamente “presa”. Foi questionada (Hakira Tahat Azara). Foi fichada, fotografada e seu DNA tomado (via oral)! Como tudo começou?
Moises, homem de negócios, foi chamado à polícia por causa de denúncias de um “vizinho” (não sabemos e nunca saberemos que vizinho). Foi interrogado e, nesse caso, nem foi fichado, mas sua esposa, contra quem não havia denúncia alguma, foi! “Como pode ser?”, vocês perguntam!
A denúncia:
Ao que parece, alguém que não se dava bem com Moises delatou no Serviço Social quo Moises andava espancando os filhos, deixando-os “presos” por horas fora de casa, não dava dinheiro para as crianças e, o pior, que, por mais de uma vez, pelo menos 2 filhos não jantaram, que o pai negou a eles a janta!
Esperem um pouco, não tão rápido! Não julguem o pobre coitado. Após uma investigação de mais de 2 horas, a polícia soltou Moises, tendo concluído que não havia nada contra ele. Segundo Moises, uma das policiais ainda disse “você é um pai exemplar”! Lembre-se que esse é um caso verídico. Existem policiais corretos em Israel!
O que se passou foi simples: Quando perguntaram ao Moises o que era essa história de comida, a resposta foi “Não somos donos de restaurantes e quem não come com a família na hora combinada e vem para a cozinha dez minutos antes de dormir, vai dormir sem comer” e assim por diante. A polícia entendeu que não passava de uma falsa denúncia. Moises respondeu tranquilamente e coerentemente a todas as acusações.
Essa história deveria ter terminado aqui, mas não terminou. Como é de praxe, a polícia questiona a esposa que para ter certeza da consistência das respostas dos dois.
Rachel, depois de quinze minutos de interrogatório, cometeu seu erro fatal e, como se sentia “à vontade” com as policiais “muito amistosas”, resolveu fornecer informações “voluntariamente” e não a se limitar a dar respostas!
Quando a polícia perguntou se o marido batia nas crianças, ela falou imediatamente que não e também acrescentou: “não bate nas crianças e, se batesse, não seria nenhum crime; até eu, de vez em quando, dou um tapa nesse ou naquele”.
Foi só disso que a polícia precisava. Rachel, contra quem não existia queixa, foi informada de que estava, a partir desse momento, sendo interrogada por “crimes muito sérios” contra menores!
Moral da historia:
O caso contra Moises fechou como se nunca existisse (Nisgar Me Hoser Ashma). O caso da Rachel está pendente e, em minha opinião, vai ser encerrado por falta de interesse publico.
O significado? Rachel será, a partir de hoje, suspeita. Se o filho por acaso aparecer na escola com um machucado, arranhão ou algo assim, e o caso for reportado pela escola, a polícia vai questioná-la como se fosse criminosa.
A vida de Rachel e do marido vai mudar, e não para melhor. Viver com medo de denuncias é sem dúvida horrível.
Como se diz em hebraico: “A vida e a morte dependem da língua”.
Dr. Henrique (Tzvi) Szajnbrum, Advogado

