Conversão e Divórcio
Um caso verídico
Jenny e David tinham um casamento feliz. O casal, que vivia nos EUA, se mudou para um estado diferente do qual residiam antes, atendendo a necessidades profissionais de David, e conseguiram acumular uma pequena fortuna. Na faixa dos 30 anos, decidiram que chegara a hora de morar em Israel, com seus três filhos.
David vinha de uma família laica, e Jenny vinha de uma família mais tradicional. A única particularidade do caso é a de que a mãe de Jenny se convertera ao Judaísmo por um rabino ortodoxo dos EUA, mas ela e o marido nunca celebraram um "Casamento Judaico", estando unidos por um simples casamento civil americano.
A mãe de Jenny nunca teve um vínculo real com alguma comunidade judaica, tendo se convertido apenas para casar-se com o pai de Jenny.
Após alguns anos em Israel, David e Jenny passaram a ter dificuldades na convivência a dois. Após tentarem um tratamento psicológico, decidiram se separar. David, que consultou um advogado, processou a sua esposa para proceder ao Divórcio antes que ela o fizesse – junto ao Tribunal Rabínico.
Jenny acreditava que estaria em desvantagem caso o Divórcio fosse apreciado pelo Tribunal Rabínico, e decidiu requerer o procedimento no Tribunal Comum. Ela alegava não ser judia, já que a conversão de sua mãe não teria sido "kosher". Assim sendo, o seu casamento com David não se trataria de um casamento judaico o que, consequentemente, excluiria a jurisdição do Tribunal Rabínico no caso. Ela não poderia imaginar que estaria cometendo, impensadamente, um enorme erro, nem o preço que ela e os filhos teriam que pagar por este ato.
O advogado de Jenny não era religioso; portanto, não estava completamente ciente das implicações para sua cliente e seus filhos ao se basearem nestes fundamentos. Eles insistiam que a mãe de Jenny seria cristã, jamais tendo seguido a fé judaica nas suas convicções, etc.
Após algumas audiências, o advogado de Jenny obteve sucesso ao convencer o Tribunal Rabínico sobre a sua incompetência no caso, e a jurisdição foi transferida para o Tribunal Comum. As decisões do Tribunal Civil sem dúvida beneficiaram a Jenny. David foi compelido a pagar uma grande soma de dinheiro a título de pensão alimentícia para os filhos, e a esposa também recebeu uma boa quantia como pensão, já que o caso se arrastou por muito tempo.
No entanto, os problemas começaram alguns meses depois da conclusão do processo de Divórcio. A vida de Jenny e seus filhos sofreu uma reviravolta, para pior.
Após 10 anos da conclusão do processo, ela permaneceu divorciada.
Rose, a filha mais velha de Jenny, ficou noiva de um agradável rapaz. Eles marcaram uma data e foram ao Rabinato para "abrir uma pasta de casamento". Ocorre que, devido ao êxito de Jenny em conseguir alguns milhares de dólares a mais junto ao Tribunal Civil, a sua estratégia convenceu definitivamente ao Rabinato de que ela – e consequentemente seus filhos – não eram judeus! Ou seja, para que Rose pudesse se casar com este rapaz judeu, teria que passar pela conversão. A família do noivo não aceitaria o casamento com uma moça convertida, principalmente uma que "teria mentiras sobre a sua situação".
Jenny teve que recomeçar o processo de conversão ao Judaísmo desde o início, bem como os seus filhos. Pelo fato de terem tido uma educação religiosa muito incipiente, este processo demorou mais de dois anos, e foi doloroso para todos eles.
Sejamos sensatos:
Mentiras são uma arma muito forte, mas como dizem os nossos sábios, podem ser uma "Cherev Pifiot" – faca de dois gumes – razão pela qual se deve evitar recorrer a elas a qualquer custo. É preferível receber uma pensão alimentícia menor, não mentir e seguir as regras, do que ser "esperto" e no final, perder tudo.
Atenciosamente,
D. Henrique (Tzvi) Szajnbrum, Advogado.

