Quando ela disser "Não", leve a sério!
Considerando que vocês são leitores há mais de 18 anos, estaremos agora tratando de um novo caso verídico, envolvendo a lei criminal e a natureza humana. Este é um caso verídico que foi submetido a um tribunal israelense, tendo como objeto uma acusação de agressão e estupro. No decorrer do artigo me reservarei ao direito de omitir determinados detalhes íntimos, já que são completamente desnecessários.
Ruth e Boaz se encontraram em uma das muitas casas noturnas israelenses. Os dois se divertiram bastante no decorrer da noite, e nas primeiras horas da manhã se despediram, após trocar telefones e um terno beijo nos lábios.
Ambos estavam na faixa dos 20 anos. Boaz vivia com seus pais, acabando sua pós-graduação e Ruth trabalhava em uma copiadora, vivendo em apartamento próprio na cidade de Tel Aviv.
Passados alguns dias, se encontraram novamente, e novamente se despediram com um carinhoso e longo abraço. Havia uma flagrante química entre eles, e ambos sabiam disto. Agora, estavam de fato "tendo um relacionamento".
Na quinta vez em que saíram juntos, novamente foram a uma casa noturna, e tomaram algumas bebidas alcóolicas. Se divertiram, e Boaz propôs que continuassem na casa de Ruth.
Ela concordou, e o casal se dirigiu ao seu apartamento. Os dois estavam cientes de que haviam tomado alguns "drinks" a mais, mas ainda controlavam seus impulsos, conforme Ruth afirmou posteriormente. No apartamento ela ofereceu a Boaz alguns aperitivos, uma cerveja gelada, e aproveitaram o tempo juntos. Se sentiam muito íntimos um do outro, naquela noite. Ruth consentiu que Boaz a despisse, e assim ele agiu.
Após alguns minutos, ambos estavam na mesma cama, completamente despidos, em sã consciência e concordância. Os dois mal podiam deter a onda de emoções e desejo, quando subitamente, sem qualquer explicação, ela disse "Não, pare"(!) e tentou empurrar Boaz para longe dela, quando ele já estava sobre seu corpo.
Boaz foi acusado de agressão e estupro. Ruth esclareceu que teria mudado de idéia "no último minuto" e decidiu não "continuar", não obstante ambos se encontrarem em uma situação na qual não havia tempo hábil para maiores explicações. Boaz alegou que achava que isto seria, certamente, "parte do jogo", e que por causa disto, acreditava que ela não pretendia realmente dizer "não".
A acusação de agressão foi indeferida, portanto, a questão a ser decidida pelos juízes era apenas uma: estupro ou relação consentida. Como podemos imaginar, não se tratou de uma decisão simples, mas ao final, Boaz foi declarado culpado. Ele não passou na prisão mais do que os 14 dias, na ocasião em que foi detido, mas teve um longo tempo de prisão suspensa, e sua vida foi quase que totalmente arruinada.
Um pouco de sensatez:
Seja esperto. Evite de se envolver em situações das quais não pode sair. E quando alguém lhe disser "não", tenha em mente que para esta palavra não há outro significado.
Atenciosamente,
D. Henrique (Tzvi) Szajnbrum, Advogado.

